Quem somos

Centro, Formação, Associação, Escolas


EUSÉBIO ANDRÉ MACHADO
(Comunicação no XV Congresso Nacional dos CFAE,
Lagoa, 5 a 7 de outubro de 2022)


A minha apologia centrar-se-á nas quatro palavras/conceitos que são utilizadas/os para designar estas entidades formadoras que foram criadas há mais de 25 anos e que, a partir de 2015, passaram a ter um regime jurídico próprio: Centro, Formação, Associação e Escolas. A minha apologia terá o defeito de se centrar no óbvio, pelo que peço desde já desculpa e a máxima tolerância, mas o óbvio é também o que se facilmente se esquece. O tempo esconde o óbvio, o tempo banaliza o óbvio, o tempo esquece o óbvio – pelo que, nos tempos que correm, precisamos urgentemente de um resgate do óbvio do limbo da ignorância, da banalidade e do esquecimento.

CENTRO - Ser centro é, obviamente, ser uma centralidade, o que é muito fácil de dizer e muito difícil de concretizar. Principalmente, se se encarar o centro, como os Centros de Formação, como uma centralidade simultaneamente como um lugar de irradiação e de convergência, um lugar que espalha e recebe luz. Na publicação que vai ser apresentada - Memórias dos CFAE –ficará indiscutivelmente demonstrada essa centralidade que os CFAE assumiram face a um conjunto de políticas públicas desenvolvidas nos últimos anos: não uma centralidade que se limita a redifundir ou a retransmitir, se quiserem, a recentralizar, mas uma centralidade que dinamiza uma apropriação emancipatória das políticas públicas, uma centralidade que agrega e integra as periferias e os espaços reticulares de inovação de um território – é, pois, verdadeiramente uma centralidade policêntrica. Isto é óbvio, mas é para isto que existem os Centros de Formação de Associação de Escolas e, mesmo que haja muitos que o saibam, poucos são os que conseguem concretizar.

FORMAÇÃO – A formação é, obviamente, uma transformação. Por definição, pode dizer-se que a formação é um trânsito de ser, de estar e até de viver. Mas vivemos tempos em que a formação parece condenada a ser uma formatação, não para acalentar uma abertura, mas a promover um fechamento. Vivemos tempos em que a formação parece chegar sempre atrasada ao tempo presente, numa dificuldade impossível de conjugar o tempo da formação e o tempo das escolas. Deste ponto de vista, os Centro de Formação de Associação de Escolas, sempre souberam estar mais do lado da formação como transformação emancipatória do que lado de uma transição adaptativa. Não porque a formação realizada pelos Centros de Formação de Associação de Escolas seja melhor ou pior, mas porque vive no tempo das escolas e dos professores. Esta capacidade de habitar os espaços e os tempos das escolas e dos professores é o que marca, essencialmente, os centros de formação e a formação centrada nas escolas. Isto é óbvio, mas também é para isto que existem os Centros de Formação de Associação de Escolas e, mesmo que haja alguns que o rejeitem, é por este caminho que muito têm seguido.

ASSOCIAÇÃO – Ser associação, obviamente, é procurar o comum e acreditar no comum. Embora seja uma palavra em perda de significado, continua a ter uma carga semântica que importa enfatizar. Associação é uma rede, como agora se diz devido à força das metáforas do mundo digital, mas é mais que uma rede; Associação é também um sentido de comunidade, mas é mais do que uma comunidade; associação é também a instituição de um território de mudança, mas também é mais que um território. A associação é, acima de tudo, um ato político, uma tomada de decisão coletiva, a comunhão de um imperativo de mudança. As redes são muitas vezes inorgânicas, as associações são sempre orgânicas; as comunidades são muitas vezes instituídas, as associações são sempre instituintes; os territórios são muitas vezes um projeto de poder, as associações são sempre um projeto de mudança. Os Centros de Formação de Associação de Escolas, como associações, são, pois, um projeto de politização séria e profunda da educação – que é a melhor e, eventualmente, a mais consequente maneira de estar ao serviço das políticas educativas. Politização significa acreditar que as mudanças estão nas nossas mãos e vontades e que importa constituir um horizonte possibilidades que pode ser renovado todos os dias. Uma vez mais, eu sei que isto é óbvio, mas é para isto que trabalham os Centros de Formação de Associação de Escolas e, mesmo que haja poucos que o ignorem, é preciso que muitos continuem a insistir.

ESCOLAS - Esta palavra aparece no fim, mas o seu verdadeiro e original lugar é no princípio. Os Centros de Formação de Associação de Escolas são a única entidade formadora que tem a palavra escolas na sua designação. Palavra que se oferece no plural e recusa o singular, palavra que se dá na diversidade e recusa a uniformidade, palavra, enfim, que significa a atenção à diferença e recusa a imposição do mesmo. Os Centros de Formação de Associação de Escolas têm este património único de respeito pelas escolas, por aquilo que elas são e desejam ser. Respeitar é um olhar de novo, como diz o filósofo Byung Chul-Han. Esta capacidade de renovar o olhar para as escolas, todos os dias, faz dos Centros de Formação de Associação de Escolas agentes de uma política de proximidade cuidadosa. Na realidade, em tempos relativamente sombrios e doentes, os Centros de Formação de Associação de Escola, têm sido lugares do cuidado das escolas e dos professores, de uma ação sustentável que preserva os frágeis ecossistemas, de uma energia renovável de esperança. Claro que isto é óbvio, mas, mas quem não perceber isto, não está apenas do lado da ignorância, está também do lado do desrespeito pelas pessoas que estão na educação como projeto de criação de uma sociedade melhor e mais justa.

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